Valpaços Campestre - Ermidas |
Ora, exactamente na zona da N103 que não foi intervencionada, isto é, onde o número de curvas passa a ser bastante maior que no troço anterior, se olharmos à nossa direita, deparamos com um pequeno povoado, anichado entre um pequeno vale e um outeiro atrás do qual serpenteia o Rabaçal cujo curso, não muito longe daqui, é sustido por uma das mini-hídricas que a Câmara Municipal ajudou a promover em parceria com privados.
A população é constituída por cerca de doze pessoas, praticamente todas idosas. O casal mais jovem, que ronda os quarenta anos de idade, está emigrado, que a vida por estes lados está cada vez mais difícil, e os dois filhos, a estudar no ensino superior, não poderiam fazê-lo se não procurassem melhor forma de sustento na estranja. A senhora Antónia, mãe do emigrante, e a senhora Maria, irmã da primeira, ambas tisnadas pelos invernos e verões de canseiras que os seus mais de oitenta anos ainda lhes dão, são duas das poucas pessoas que ainda vão resistindo por estas paragens, protegendo-se da canícula à sombra de uma vetusta oliveira à entrada do núcleo da aldeia.
Aqui há uns anos a N103 sofreu uma pequena rectificação e, porventura nessa altura, alguns dos marcos quilométricos terão sido substituídos com o provável abandono dos inutilizados. E como o povo é criativo (a necessidade aguça o engenho) alguém se terá lembrado de dar melhor utilidade a um dos ditos marcos. Se calhar, como é costume em tantas situações, a Junta de Freguesia, ou a própria Câmara Municipal, prometeram que os locais teriam direito a um fontanário onde pudessem abastecer-se de água potável. Provavelmente, a promessa não chegou a ser cumprida e, então, houve que adaptar o tal marco quilométrico e, como que por magia, aí estava o fontanário com a água a correr. Contudo, eu já o vi somente a pingar e sem a presumível torneira. Afinal não são somente as pessoas que vão envelhecendo por estes lados. Também os equipamentos colectivos parecem terem acabado o seu ciclo de vida e acompanham a própria aldeia nesta espécie de morte lenta que a levará a, mais tarde ou mais cedo, ficar sem ninguém.
... e/ou para se divertirem na romaria que, com as imensas esmolas que os romeiros depositam, os locais promovem em cada ano, num espaço que se foi tornando cada vez maior com a aquisição de terrenos que lhe eram contíguos. Talvez porque o povo é pequeno e não tem onde receber tanta gente, aqueles que demandam esta festa trazem sempre um bem recheado farnel, que o dia é longo e o estômago pede alimento. Daí que esta festa do nosso concelho seja conhecida exactamente pela Festa das Merendas.
Por Prof. Celestino Chaves |
9/7/2009 in Notícias de Valpaços |
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